Um caminho demarcado por aura azul reluzente guiava Aleíse nesse momento. Ela corria pela Wild Area, acompanhada por Kubfu, e tentava ignorar os rugidos de Pokemon gigantes, os barulhos de coisas caindo e explodindo, e mais gritos abafados. Não desviaria o olhar da sua rota, sabia que de alguma forma chegaria até Leuri, e que ela poderia dar um jeito nessa situação.
Durante sua jornada por Galar, desde que saiu de Wedgehurst, Leuri esteve ao seu lado, a apoiando e sendo uma ótima amiga. Talvez nunca tenha dito com essas palavras, mas se inspirava nela. Quando se propôs a ser a responsável por acompanhar Kubfu, foi pensando nisso. Ela havia vencido a Liga desse ano, se tornando uma das Campeãs, e enfrentou sua mestra e praticamente mãe, Leila, numa batalha completa. Mas como sempre teve em mente, não poderia se dar por satisfeita e parar, precisava ir além.
— Não posso... Parar... — Aleíse resistia ao cansaço, mantendo seu pensamento no seu objetivo, quando Kubfu parou de correr. — Uh?
Diante dela, com passos desorganizados, Bea apareceu. Seu olhar que antes era sempre tão rígido parecia preservado, mas muito distante, como se sua mente estivesse vazia. E provavelmente estava. Controlada pelo seu desejo, a Treinadora selvagem carregava uma Ultra Ball, e Aleíse recuou um passo, apertando os punhos.
— Bea, por favor! — ela pediu, sem resposta. — Eu não quero começar uma batalha, preciso continuar! Estou indo até a Leuri... Ela... Ela vai dar um jeito nisso tudo!
— Fu. — O urso assentiu, sentindo a dúvida na voz da cabeleireira.
Bea não reagiu, se mantendo parada com a Ultra Ball na mão. O suor escorria pela testa de Aleíse, e uma gota pingou em seu queixo. Ela aumentou a voz, gritando para Bea.
— Você é mais forte do que isso! Precisa retomar o controle, gata!!
Bea novamente não mostrou reação, e esticou o braço para o lado. Em seu pulso, a Wishing Star estava crava na pulseira, criando raízes vermelhas por seu braço. A Ultra Ball em sua mão foi envolta por partículas Dynamax, rapidamente aumentando de tamanho, e Aleíse cerrou os dentes. Teria que combater.
— Fu! — Kubfu bateu o pé no chão, e Aleíse retomou a consciência.
— Lurantis! — pediu, liberando sua principal parceira.
Bea esticou o braço para frente, e Aleíse olhou para o alto, vendo Machamp flexionando os braços enquanto sua aura vibrava tão forte que irradiava como chamas ao redor de seu corpo. Ela se tornou numa extensão de seus membros, braços enormes que buscavam socar Lurantis.
— Desvie!!
Lurantis encarou os socos de Machamp de frente, correndo entre os braços de aura e se impulsionando deles para continuar desviando, então quando deu um salto maior, Aleíse estava atenta e seguiu comandando.
— Sunny Day!
Lurantis estufou seu peito, flexionando o corpo enquanto pontos luminosos se desprendiam e giravam juntos até perto do rosto de Machamp, formando uma esfera luminosa que clareou o ambiente selvagem e incomodou o lutador Gigantamax. A Pokemon sentiu-se regenerada com aquela luz, e voltou ao chão mais radiante.
— Isso vai pedir nossa melhor lâmina — disse Aleíse, vendo Machamp tentando golpear a luz, em vão. — Solar Blade!
Lurantis esticou um de seus braços, que acendeu junto da luz artificial. Manipulando-a, ela formou uma tesoura, agora precisando das duas mãos para empunhá-la, então a usou para desferir um corte no joelho do lutador, que soltou um grito grave de dor que balançou as árvores ao redor.
— Boa! — Aleíse comemorou, mas percebeu Bea estreitando os olhos.
Machamp balançou a cabeça e seus olhos se acenderam completamente, de forma que quando se movimentava deixava um rastro de luz que lembrava fogo pelo ar. O gigantesco rugiu e socou o próprio peitoral com os seus quatro braços, agitando os ventos e obrigando Aleíse e Lurantis a levarem os braços à frente do rosto para se protegerem.
Na sequência, Machamp saltou para o meio das árvores, assustando Aleíse pelo rumo daquela batalha. Ele agarrou em árvores, arrancando-as do solo para arremessar.
— Aaah!! — Aleíse temeu seu fim quando viu uma árvore girando no ar vindo em sua direção.
— Luuu! — Lurantis foi ágil e saltou em sua frente, cortando o tronco da árvore em dois pedaços que rolaram para os lados, usando sua tesoura luminosa.
— MAAAAAAACHA! — Machamp gritou como numa guerra, agora arrancando mais duas árvores.
— Fu, kubfu! — O urso cobrou uma reação de Aleíse, que olhava apavorada para aquilo.
— Esse saradão não pode ficar arremessando coisas assim... E nós não podemos só fugir — disse, e Lurantis entendeu o recado.
Bea se virou na direção das árvores quando Aleíse e Lurantis correram para lá. A Pokemon usou sua tesoura para partir mais árvores arremessadas durante o caminho, mas agora que estava mais perto do gigante, não fazia mais sentido ele tentar atirar coisas à distância.
— Suba nas copas e acerte mais cortes! — Aleíse pediu, rasgando o ar com um movimento rápido com o braço.
Lurantis saltou de galho em galho até o topo da maior árvore que encontrou, impulsionando-se para cima de Machamp. Os olhos do gigante se juntaram em Lurantis diante de sua cabeça enorme, e ela investiu com a tesoura, abrindo e fechando-a no meio de seu rosto, o fazendo balançar os braços para trás, recuando alguns passos.
— MAAAAAAAAAACHAMP! — Mas ele não parou por aí, e usou suas quatro mãos para impedir que Lurantis saísse dali, agarrando-a.
— LUUUURAAA! — Lurantis berrou em desespero, sendo espremida nas mãos dele.
— Não!! — Aleíse levou as mãos à boca, mas se virou para Bea, estática próxima dela. — Bea, olha pra isso! Precisa parar essa batalha!!
Mas Bea não reagia de forma alguma. Lurantis continuava gritando, cada vez mais apertada nas mãozorras de Machamp, e Kubfu olhava atento para Aleíse, que respirou fundo.
— Fu? — O urso a questionou, e ela sentiu seus olhos lacrimejando, mas não deixou as lágrimas caírem.
— Mesmo que seja difícil... Todos acreditaram em Lurantis, nos meus Pokemon, em mim... Eu também preciso me agarrar nisso. Nós ainda estamos lutando! — Ela gritou a última parte, e Lurantis também tentou controlar a dor que sentia na preensão, até que...
Dos ombros de Lurantis, pequenos ovinhos luminescentes começaram a rolar até as mãos de Machamp. Eles se transformaram em minúsculas Fomantis, que começaram a dar mordidinhas por toda parte, cada vez mais incomodando o gigante até ele afrouxar e Lurantis conseguir respirar novamente.
— Ótimo Struggle Bug!! Obrigada, Lurantis! — Aleíse se emocionou, vendo sua parceira também compartilhando de seu desejo de continuar. — Agora saia daí, Solar Blade!
Lurantis deu um grito determinada e Machamp sentiu suas mãos queimarem, quando uma tesoura de luz as atravessou, abrindo e fechando em seu rosto. Ele soltou Lurantis, lançando-a para o alto, e gemeu com dores.
— Continue, Solar Blade!!
Desferindo mais cortes rápidos, Lurantis continuou pressionando Machamp até ele tombar no meio de um terreno, levantando muita poeira pelos ares.
— CHHAAAAMP! — Ainda assim, ele bradou, dando múltiplos socos no chão ao seu redor.
Colunas pontudas de metal começaram a romper o solo, fazendo tudo chacoalhar. Percebendo Aleíse se desequilibrando, Lurantis se distraiu e uma delas a atingiu em cheio nas costas, arrancando-a um grito e fazendo-a cuspir.
— BEA!!
No meio da poeira levantada e do caos, Aleíse agarrou nos ombros da Treinadora que iria cair se não fosse isso. Suas tranças balançavam e sua expressão era de agonia, enquanto Bea continuava do mesmo jeito distante.
— Naquele dia, você deixou ir embora aquele conflito que te fazia tanto peso... Você foi forte para decidir encerrar uma batalha impossível. — Aleíse sorriu ao lembrar-se de quando viajou com Bea para Kalos, mas voltou a ficar séria quando olhou para Machamp se levantando. O som abafado de seu grito e novamente Lurantis resistindo... Ela voltou-se de novo para Bea, apertando as mãos em seus ombros. — Essa batalha que estamos tendo agora, é real! A região inteira... Marnie, Eternatus... É tudo real. Por favor, Bea! Eu sou sua amiga e te digo, você já é o suficiente! Seu desejo é muito mais do que isso, vamos lutar juntas!!!
Aleíse abraçou sua amiga com toda a força enquanto mais fendas se formavam ao seu redor, decidida a não soltá-la. Ela sentiu algo tocando suas costas, então abriu os olhos, surpresa, e afastou-se um pouco.
— Obrigada. — Bea estava sorrindo, com uma expressão leve. — Eu entendi!
— Bea!! — Aleíse emocionou-se, e as duas deram as duas mãos, levantando-se juntas.
— Eu tenho ótimos amigos comigo, e já escolhi continuar junto com eles. — Ela disse, de cabeça erguida encarando Machamp gigantesco envolto em sua aura vibrante como chamas.
Em seu braço, as raízes vermelhas desapareciam, mesclando-se com seu tom de pele. A Wishing Star em seu pulso rompeu-se, e ela pisou por cima dos pedaços, sorrindo com confiança.
Machamp parou naquele momento, e seus olhos se acalmaram, voltando a ter pupilas. Sua aura baixou-se, e ele olhou na direção de Bea e Aleíse. Também sentindo-se mais leve, ele fechou os olhos e sorriu, então seu corpo passou a diminuir, libertando-se do Gigantamax antes de regressar para a Ultra Ball de Bea.
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